sábado, 29 de dezembro de 2018

Bandido bom, bandido morto ou preso?

"Vá na Favela da Rocinha e grite 'bandido bom é bandido morto'" é uma falácia usada por quem é contra a pena de morte. E se alguém subir nessa favela e gritar "bandido bom é bandido preso" será recebido com honras entre os "donos da favela"? Para expôr minha opinião, teria que explicar minha definição pessoal - que talvez seja a definição objetiva e definitiva - de bandido e morte, e quem sabe alguém concorda comigo. Bandido, para mim, não é o ladrão de galinha, tampouco a ladra de margarina, ou mesmo o ladrão de celular. Político corrupto é bandido? O desvio de verbas causa danos a sociedade, e no conjunto podem ser considerados como tal. Na China, por exemplo, corruptos são mortos, mas lá também há perseguições políticas, e a acusação de corrupção seja uma desculpa para executar opositores ou aliados que pisaram na bola com o partido. Temos aí uma situação à parte. Bandidos, para mim, são autores de crimes hediondos. Podemos abranger políticos e outros criminosos, mas a princípio, quem pratica crime hediondo é bandido, passível de morte.



E então, o que penso sobre morte? Claro, é o fim da vida, então, o que discutiremos são as causas mortis. Gritar Bandido Bom É Bandido Morto não deveria fazer do fiasquento um defensor da pena de morte. Eu mesmo acho que bandido bom é bandido morto, mas não foi favorável à pena de morte, não no Brasil. O sujeito pode morrer de câncer, de AIDS, mas morre, e eu não lamentaria por isso, até sussurraria que foi tarde. Esses tipos de mortes já são verdadeiras punições, mais eficaz que a cadeia, pena (de dó, não de punição) que não resultam de seus crimes, até porque não existe uma relação direta entre criminalidade e doenças terminais - pelo contrário.



Quem normalmente se põe na linha de tiro para proteger o bandido, não de tiro, mas do bordão bandido bom bandido morto, coloca no mesmo saco estupradores com o ladrão de picolé ou serial killers com o caçador de perdizes selvagens. Quem é o reacionário fascista nessa história? Daí, surge toda a indignação, pois acreditam que queremos (acho que alguns querem) pena de morte para o ladrão de galinhas. Não é isso.



Seja contra a pena de morte, mas não ache que bandidos não devem sofrer o que pessoas inocentes sofrem. Nos dias de hoje, quando até o encarceramento é discutido, inclusive sugerindo a libertação de criminosos perigosos, até o Bandido Bom É Bandido Preso acaba sendo fascista reacionário.









quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Nazismo de esquerda ou direita?


Não estou acompanhando direito, mas dizem que internautas brasileiros estão discutindo com alemães sobre a ideologia do nazismo, se é de esquerda ou direita. Eu não discutiria com os alemães sobre nazismo ou sobre o grau de pureza de cervejas, a menos que utilizasse fontes alemãs, mas posso discutir com qualquer um sobre esquerda e direita. O que estão discutindo está errado, o foco é outro. É como no conto d’A Velha Contrabandista, onde o guarda da alfândega desconfiava que a idosa contrabandeava uma coisa, mas na verdade contrabandeava outra.



Existe uma definição pouco clara para esquerda e dúbia para a direita. Direita é tudo aquilo que não é de esquerda? Se for assim, então o nazismo era, de fato, de direita, mas não extrema-direita, pois nessa definição não existem extremos. Talvez fosse anti-esquerda ou oposto a esquerda em tudo, mas não “extrema-direita”. E cá entre nós, o nazismo não era tão diferente da esquerda assim.



Se direita é tudo aquilo que não for de esquerda, então devemos definir o que é esquerda. É importante saber sobre ela, pois, é quem dita essas regras. Quem nos diz o que é esquerda e direita são nossos professores (de esquerda), o líder sindicalista (de esquerda) e até o padre, que não é de direita. Não vou aborrecê-los citando as origens iluministas, passando pelo marxismo , revoluções e escolas com nomes de cidades alemãs, até porque, reconheço, não sou versado no assunto. Vou falar do esquerdismo do cidadão médio, daqueles que elegem partidos de esquerda e juram que o nazismo é de direita.



A esquerda vislumbra uma divisão primordial da sociedade, imutável, duas castas: ricos e pobres. Nessa divisão, não existe uma mobilidade social natural, nem pequenos intervalos no espectro social, como classe média baixa ou classe baixa média. A esquerda não aceita qualquer divisão social acima dessa. A perspectiva da esquerda tem como ponto de origem os pobres, a base da pirâmide social, por isso, seu grande objetivo é forçar uma mobilidade social até alcançar o equilíbrio, onde todos terão praticamente a mesma riqueza – a chamada distribuição da renda, ou justiça social ou fim das classes sociais. Lembrando que não existe, para o esquerdista, qualquer outra divisão social superior, portanto, nem objetivo mais sagrado que a distribuição a renda.



Em um mundo tão desolador quanto esse proposto pela esquerda, só há duas alternativas: se preocupar com os pobres, defendendo a transferência de renda dos mais ricos, ou defender os ricos, mantendo tudo como está ou até desejar o aprofundamento da desigualdade.  O nazismo dividia a sociedade entre raças, não em classes: os arianos e os demais, mas ao contrário da esquerda, sua perspectiva era da ala superior dessa divisão, observavam a sarjeta não-ariana da sacada ariana. Provavelmente, esse é o caráter “direitista” do nazismo, algo que podemos chamar de “elitismo”. Seria essa a verdadeira diferença entre esquerda e direita? Se for, devemos jogar vários direitistas para a neutralidade, uma vez que esses não colocam quaisquer divisões em primeiro plano, tampouco vêem a sociedade “por dentro”, de baixo pra cima ou de cima pra baixo, mas "por fora".



Notem que essa visão de superioridade dos nazistas se assemelha a da classe rica, ao menos, a uma parte dela, com a diferença que os nazistas escravizavam ou exterminavam os “inferiores”, o que lhe confere o caráter de “extremo”. O nazismo, então, seria de “extrema” (por levar ao paroxismo sua visão de mundo) – “direita” (por seu elitismo). O estereótipo do direitista, criado pela própria esquerda, existe; o problema é acreditar que todos que não comungam de sua visão de mundo se encaixe nele.



Mas, a esquerda está errada em desejar a igualdade? Não há como negar que o objetivo é nobre, o problema são os meios sugeridos e empregados para alcançá-lo. E quais são eles? Os mais simplistas ou fáceis de conceber: revoluções, assistencialismo, desapropriações e invasões de terra...Tudo por uma distribuição forçada de renda. Qualquer medida mais complexa, sustentável, cirúrgica e que levaria mais tempo para concretizar é visto como algo direitista, pois, como eu disse anos-luz atrás, não se enquadra na visão.



Sempre contesto a esquerda por causa dessas soluções simplistas para um problema complexo, que trarão algum benefício no curto prazo, mas problemas ainda mais sérios à frente. E quando os problemas vierem, a primeira reação da esquerda será a negação, quando isso não for mais possível, culparão as elites, a direita (qualquer um que não seja de esquerda), os EUA, Israel, os Illuminattis, o aquecimento global, a Confederação Galáctica, mas nunca suas brilhantes medidas. Feito o estrago e incapazes de reconhecer a falha de seus métodos, farão tudo de novo em outro lugar. Quem ousar ser contra isso é direitista, tendendo ao nazismo.



A falta de uma definição clara e objetiva para direita coloca num mesmo saco homens cruéis com mulheres caridosas, loucos com sensatos, nazistas com o pedreiro que vota no Bolsonaro. Precisamos rever isso.

domingo, 6 de maio de 2018

Oprimidos e opressores


No princípio era o verbo. Marx vislumbrou uma sociedade dividida entre burgueses e operários (não qualquer pobre, apenas os operários), onde esses eram inexoravelmente prejudicados pelo nascente capitalismo, e que a única forma de frear isso era pela revolução do proletariado em nível mundial. Cem anos depois, Herbert Marcuse, horrorizado, descobriu que os operários "foram corrompidos pelas benesses do capitalismo". Em bom português: Marx errou. Se o capitalismo acabou favorecendo os operários, então uma revolução do proletariado seria desnecessária, que o melhor caminho seria uma espécie de revolução capitalista, empreendendo, e assim, ajudado na criação e distribuição da renda, certo? Tolinhos, o objetivo nunca foi o bem-estar do trabalhador, essa foi apenas uma desculpa para a tomada do poder.



Se não podiam mais contar com os operários, teriam que aliciar novos desfavorecidos da sociedade para alcançar seu nobre objetivo, e assim se fez.  Então, o verbo marxista foi remodelado e se criou um novo tipo de divisão, tão abrangente que dispensa futuras adaptações. Agora, a sociedade seria dividida entre Oprimidos e Opressores.



A primeira característica de um Opressor é ser rico, enquanto o Oprimido necessariamente será pobre, uma divisão temerária numa sociedade dividida em classes, mas ignoremos esse detalhe da mesma forma que eles ignoram. As demais características dos Opressores/Oprimidos, a princípio, não tem uma ordem de importância, mas talvez a questão do "gênero" ocupe o último lugar nessa escala de opressão...até agora.



As características do "opressor" são: homem, branco, rico, cristão, heterossexual,

As características do "oprimido" são todo o resto: mulher, negro, pobre, não-cristão, homossexual



Teremos, então, o opressor supremo, que tem todas as características do opressor acima citadas. Já a oprimida suprema seria mulher, negra, pobre, homossexual, não-cristã e um "gorda" como bônus. Existem vários exemplos da primeira categoria, mas acho que o maior representante atualmente é Donald Trump. Já entre as Oprimidas Supremas, já é um pouco mais difícil de achar uma representante mais conhecida, mas talvez a atriz norte-americana Gabourey Sidibe seja um bom exemplo (não sei de sua orientação religiosa ou sexual), ou então a Preta Gil. Os demais seriam oprimidos mas também opressores, dependendo da situação, e é aí que a coisa fica, digamos, interessante.



A feminista que luta contra a opressão masculina é a mesma que será tratada como Opressora pelos negros, até porque ela pode ser, de fato, racista, ou seja, é Oprimida e Opressora. A negra que participa de uma passeata anti-racismo é a mesma que sente vergonha de seu filho homossexual ("seja homem"). Agora temos uma ala do feminismo composto só por mulheres negras. Por serem duplamente Oprimidas (mulheres e negras), acabam por se rebelar contra as Opressoras dentro do feminismo, que são as brancas.



A Oprimida suprema participa de protestos contra o racismo (por parte inclusive de mulheres homossexuais não-cristãs) para logo em seguida participar de um protesto contra o machismo (também vindo de negros homossexuais não-cristãos) e se der tempo ir para uma marcha contra a intolerância religiosa (por parte, também, de algumas mulheres negras homossexuais) ou contra a homofobia (vinda também de mulheres negras e não-cristãs), por isso, corre o risco de ser chutada para fora de um desses movimentos.



Tudo que lemos até agora não passam de condições. Nem todo o homem branco rico cristão "oprime" alguém de fora do seu campo fenotípico ou social. Um "opressor supremo" pode ser um opressor ou não. Algo binário, 0 ou 1. O mesmo vale para o oprimido que assim será somente se for vítima de opressão...



...Mas isso é ignorado...!




...Na visão dos nossos justiceiros sociais, todo aquele que possui todas as características "opressoras" é um opressor e não se discute mais isso. Ou quase não. A bem da verdade, a característica mais importante para toda essa conversa é: ser ou não ser de esquerda. Jogue tudo fora o que leu até aqui, pois a verdadeira narrativa de Opressor e Oprimido pode ser sintetizada nesse único aspecto. Vários dos pretensos defensores dos Oprimidos possuem todas as características Opressoras - menos a riqueza, na maioria dos casos -, mas, de fato, não são Opressores, mas se passam por salvadores do povo, quando não por Oprimidos, afinal, são de esquerda. Imagine agora a Oprimida Suprema que declara abertamente seu voto a qualquer candidato anti-esquerdista ou que se posiciona contra políticas de esquerda por discordar que trarão benefícios a outros Oprimidos. Será vítima de racismo, de homofobia e de machismo por parte dos Oprimidos ou então será considerada uma traidora da causa, ou mesmo uma Opressora. Lembrem-se que o objetivo real não é e nunca foi a luta pelos menos desfavorecidos. O uso da expressão "pobre e de direita" pelos nossos Oprimidos parece resumir isso tudo.



A página do Twitter Ódio do Bem tem um acervo de onde tirei alguns exemplos. Os nomes não serão ocultados, até porque estamos fazendo um favor em divulgar o seu trabalho e facilitar futuros contatos profissionais.





São grandes as chances desse tal Carlos ter as características de um Opressor Supremo se passando por Oprimido, afinal, ele é de esquerda.





Aqui temos um típico defensor dos Oprimidos, mas como a Carmem Lúcia - mulher - condenou o grande líder branco, hétero, rico, pseudo-cristão da esquerda...Acho que não preciso expor mais exemplos, até porque já deve ter visto nas redes sociais ou fora dela.



"O sonho do oprimido é virar opressor", olha que frasezinha interessante. Será que o sonho do negro é ser branco ou do homossexual ser heterossexual? Ou talvez do muçulmano ser cristão? Pouco ou nada provável, mas seriam essas as preocupações dos nossos defensores dos Oprimidos? Será que o sonho do esquerdista é virar direitista? Não, pois mudança de visão "pula" a fase dos sonhos e vai direto à realidade. Quem sonha em ser direitista ou esquerdista não sonha, acaba se tornando um, e talvez essa seja a grande preocupação de quem teme que o Oprimido vire Opressor. Apenas especulo, mas faça o teste.



A história mundial é repleta de opressores reais, que abusam de sua superioridade tecnológica ou militar para oprimir seu próprio povo e outros povos, e ainda criam superioridades imaginárias, a esquerda inovou: criou o oprimido imaginário que deve se levantar e se vingar do opressor real ou não, e em seguida, colocar no poder os Oprimidos, que serão opressores reais. De certa forma, o sonho do Oprimido - daquele Oprimido que controla os demais - é mesmo ser opressor.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O que dizem e o que querem dizer

Lula será preso. Ponto.



Não podia deixar esse evento passar em branco, embora não tenho muito a falar sobre. Mas um ou dois comentários sobre o ocorrido me chamou a atenção a tal ponto de analisar a sua real natureza. O comentário em questão e semelhantes parecem esconder a real opinião de quem os profere. Vejamos alguns exemplos.



O que dizem: A prisão do Lula vai acabar com a corrupção (risadinhas)

O que querem dizer: A prisão do Aécio, do Temer, do Bolsonaro, de todo o PMDB, PSDB e DEM e a absolvição do Lula acabarão, de fato, com a corrupção.



O que dizem: Jesus defendia bandidos

O que querem dizer: Eu defendo bandidos



O que dizem: Pena de morte só servirá para pretos e pobres

O que querem dizer: Pena de morte deve servir para todos os "fascistas", inclusive pretos e pobres "fascistas"



O que dizem: Me mandaram ir para Cuba, fui e gostei

O que querem dizer: Me mandaram ir para Cuba, fui, gostei, voltei e quero morar em outro país.



O que dizem: Lula foi preso sem provas

O que querem dizer: Não vi as provas e nem quero vê-las, logo, elas não existem.



O que dizem: Armas matam

O que querem dizer: Põem uma arma na minha mão e saio atirando em todo mundo.



O que dizem: Militares, nos salvem.

O que querem dizer: Somos frouxos demais para resolver problemas civis.



O que dizem: Lula foi o melhor presidente da história do país. "Nunca na história desse país..."

O que querem dizer: A história do país começa quando nasci. Antes disso, só tinha índios.



O que dizem: "mulher do grelo duro" é uma expressão regional, que significa mulher de fibra.

O que querem dizer: Tive que esperar dias até que alguém me explicasse isso. Se Bolsonaro dissesse isso, eu ia tacar pedras nele na mesma hora.



O que dizem: Metemos o relho no petista

O que querem dizer: Só nós podemos agredir



O que dizem: Jesus era comunista

O que querem dizer: Só falo isso pra provocar. Nunca liguei pra Jesus.



O que dizem: Deturparam Marx

O que querem dizer: Vou repetir isso até qualquer noticia boa de um país socialista apareça, mesmo que seja a exibição de bichinhos fofinhos do zoológico, para mostrar que o socialismo deu certo.



O que dizem: O Grande Acordo Nacional se cumpre, com Supremo e tudo.

O que querem dizer: Não ouvi, nem li a transcrição do resto do áudio, mas tem que ser isso mesmo.



O que dizem: Não deixa o MBL pensar por vocês.

O que querem dizer: Deixe que nós pensamos por vocês



E então, já prenderam o Lula?



quinta-feira, 29 de março de 2018

Cidadãos de bem? Sim, eu e você

Dizem as más línguas que a expressão Cidadão de Bem surgiu com a Klu Klux Klan, na qual seus membros se consideravam "cidadãos de bem", cidadãos superiores aos demais. Posteriormente, foram os nazistas a usarem a expressão maldita. Então, seria errado, uma infâmia, usar tal expressão. Só nazistas, racistas e outros idiotas que se consideram superiores aos outros se consideram "cidadãos de bem". Pois é, a cruz gramada era um símbolo sagrado antes dos nazistas conspurcá-la. Tudo o que foi usado por essa turma, mesmo que usado anteriormente por outros povos, é maculado, ou assim é tratado. Assim é com a expressão Cidadão de Bem.



Será que a esquerda respeita certas "propriedades privadasmesmos que essas tenham sido tiradas de alguém? O caso é ainda mais intrigante pois trata-se de uma simples expressão linguística, algo de domínio público, e não uma de propriedade intelectual. Sei que há algo na psicologia humana que explique isso, embora eu não saiba, mas tenho minhas palpitações. A esquerda divide a sociedade entre ricos e pobres. Como a criminalidade seria uma consequência da pobreza, os criminosos seriam nossos "irmãos" de base da pirâmide social, com a mesma dignidade de um gari que pega dois ônibus para trabalhar. Outra explicação seria a visão esquerdista baseada no "vitimismo", que justificaria uma "justiça", ou uma reparação, enquanto a "direita" ou os opressores vêem a sociedade sob a ótica da superioridade. Meio que explico isso  aqui. Se considerar um Cidadão de Bem seria se considerar superior aos "irmãos" bandidos, e isso é intolerável.



O cidadão de bem de verdade, não aquele que assim se autodenomina, acaba sendo desencorajado a se considerar moralmente superior ao assaltante que o vitimou, pois esse seria vítima de um outro personagem: a sociedade. A sociedade, na visão peculiar dos "antifas", seria uma entidade coletiva formada por todos os conservadores ricos (ou pelo menos, aqueles que tem carro) da sociedade; os demais fariam parte de uma resistência que podemos chamar de "periferia". Resumindo: a opressora entidade chamada Sociedade vitimiza uma parcela da Periferia que acaba se transformando em  "bandidos" e passam a vitimizar a outra parcela ainda incólume, como vítimas de algum experimento que transforma pessoas normais em criaturas raivosas, atacando seus "irmãos".



Ao comparar maldosamente os autodenominados Cidadãos de Bem com membros da Klu Klux Klan ou com nazistas, automaticamente estão comparando negros americanos e judeus a estupradores, homicidas e a assaltantes, essas "vitimas" da Sociedade. Não é de bom tom fazer essa equiparação.



Sim, eu me considero um Cidadão de Bem, até que provem o contrário ou venho a cometer algum crime. Me considero moralmente superior a bandidos, e te considero assim também, mesmo que insista em dizer que Cidadãos de Bem são apenas a direita ou os eleitores do Bolsonaro, o que não é verdade.






O valor da vida na sociedade

Uma das maiores perfídias que escuto por aí, de bocas esquerdistas, é uma daquelas tentativas de superioridade moral quando dizem: "é contra o aborto mas defende a pena de morte". Dizem eles que a vida dos seres humanos são iguais, mas enquanto o feto não é vida..., né? Biológica, química, fisica, matemática, filosófica, religiosa e cosmologicamente, a vida de todo o ser humano é igual. Digo mais: a vida de todos os seres vivos - ao menos no reino animal - são iguais. O problema é que o convívio social acrescenta alguns fatores que simplesmente reduzem esse absolutismo. Em outras palavras: na sociedade, uma vida não é igual às demais.



Certa vez, uma colocação creditada a Dona Maria do Rosário dizia que é melhor um policial morto que três bandidos. As almas mais nobres se indignariam com isso, mas considerando essa tese do igualitarismo humano, a Dona Maria (supondo que foi ela quem disse isso) está certíssima,. Se uma vida é igual a outra, então três vidas valem mais que uma. Nesse ponto-de-vista altamente técnico, é melhor que um pobre trabalhador perca a vida, que os três estupradores que violentaram sua filha, tudo de acordo com as mais sagradas leis naturais. Mas como eu disse, a sociedade - ou melhor, o convívio social - impõe suas próprias regras.



Sobre a perfídia que citei antes, da vida de um bandido valer mais que um feto. Se o feto em um determinado tempo de gestação ainda não é considerado um ser vivente, então, por todos os critérios estabelecidos, seria melhor abortá-lo que matar um bandido, diriam. O Direito À Vida pregado no artigo 5º da Constituição seria apenas o direito de mantê-la, não de adquiri-la. Socialmente, o feto, mesmo ainda não tendo vida, é o ser mais inocente da humanidade, mais isento de culpa que qualquer criança. Caso o Direito À Vida seja apenas manter a vida, então um feto ainda sem vida vale tanto quanto um criminoso de alta periculosidade: nada.



Mas e a tal ressocialização do criminoso ao invés de mata-lo? Primeiramente, Fora Tendenciosidades de apoio ao bandido. Em seguida, o principal papel da prisão é a punição. O bandido (quando falo em bandidos, falo de criminosos de alta periculosidade, não de ladrões de galinha) se sentiria tranqüilo se  seu crime fosse pago com ressocialização, e não com punição. Incentivo maior para a criminalidade, só a impunidade. Matar seria a solução? Dependendo do caso, mas quando digo que a vida de um bandido não vale nada ou que Bandido Bom é Bandido Morto, não defendo necessariamente a pena de morte, defendo apenas que ele pode morrer de uma forma ou de outra, que seria um alívio para a perversa sociedade do qual você faz parte. Se pessoas boas morrem, porque não pessoas más não podem ter o mesmo destino?



O que faria a vida de uma pessoa valer mais que as outras? O primeiro critério seria o familiar. Se tivesse que escolher entre a vida de um familiar e a vida de outra pessoa, de um estranho, de quem você escolheria? Fora do âmbito familiar, podemos dizer que um bandido que põe em risco dolosamente a vida de outras pessoas não necessariamente merece viver, principalmente se é um que recebeu uma segunda chance e voltou a pôr a vida de outros em risco ou em grave violação física ou mental. Podemos ser contra a pena de morte, até porque isso envolve novas implicações, mas não é de bom tom lamentar a morte de um bandido, a menos que seja alguém de sua família ou mesmo um amigo.



Biológica, química, fisica, matemática, filosófica, religiosa e cosmologicamente, a vida de todos são iguais. Até a vida dos animais teria o mesmo valor que a nossa (que digam os veganos), aliás, a vida de um animal, inocente por natureza, vale mais que a de um bandido, ao menos para mim. A sociedade exige "leis complementares" e essa é uma delas.



terça-feira, 27 de março de 2018

Mudança de nome

O nosso glorioso Chistes Infames cresceu e assim conseguiu o direito de mudar seu próprio nome, mas não de sexo. Agora passa a se chamar Página Fascista, numa clara alusão ao reductio ad fascistum de nossos intelectuais de sempre. Nem sei como não pensei nesse ótimo nome antes, mas enfim... O conteúdo é o mesmo de sempre: fascismo para todos os lados, porque fascismo pouco é viadagem.