No princípio era o verbo. Marx vislumbrou uma sociedade dividida entre burgueses e operários (não qualquer pobre, apenas os operários), onde esses eram inexoravelmente prejudicados pelo nascente capitalismo, e que a única forma de frear isso era pela revolução do proletariado em nível mundial. Cem anos depois, Herbert Marcuse, horrorizado, descobriu que os operários "foram corrompidos pelas benesses do capitalismo". Em bom português: Marx errou. Se o capitalismo acabou favorecendo os operários, então uma revolução do proletariado seria desnecessária, que o melhor caminho seria uma espécie de revolução capitalista, empreendendo, e assim, ajudado na criação e distribuição da renda, certo? Tolinhos, o objetivo nunca foi o bem-estar do trabalhador, essa foi apenas uma desculpa para a tomada do poder.
Se não podiam mais contar com os operários, teriam que aliciar novos desfavorecidos da sociedade para alcançar seu nobre objetivo, e assim se fez. Então, o verbo marxista foi remodelado e se criou um novo tipo de divisão, tão abrangente que dispensa futuras adaptações. Agora, a sociedade seria dividida entre Oprimidos e Opressores.
A primeira característica de um Opressor é ser rico, enquanto o Oprimido necessariamente será pobre, uma divisão temerária numa sociedade dividida em classes, mas ignoremos esse detalhe da mesma forma que eles ignoram. As demais características dos Opressores/Oprimidos, a princípio, não tem uma ordem de importância, mas talvez a questão do "gênero" ocupe o último lugar nessa escala de opressão...até agora.
As características do "opressor" são: homem, branco, rico, cristão, heterossexual,
As características do "oprimido" são todo o resto: mulher, negro, pobre, não-cristão, homossexual
Teremos, então, o opressor supremo, que tem todas as características do opressor acima citadas. Já a oprimida suprema seria mulher, negra, pobre, homossexual, não-cristã e um "gorda" como bônus. Existem vários exemplos da primeira categoria, mas acho que o maior representante atualmente é Donald Trump. Já entre as Oprimidas Supremas, já é um pouco mais difícil de achar uma representante mais conhecida, mas talvez a atriz norte-americana Gabourey Sidibe seja um bom exemplo (não sei de sua orientação religiosa ou sexual), ou então a Preta Gil. Os demais seriam oprimidos mas também opressores, dependendo da situação, e é aí que a coisa fica, digamos, interessante.
A feminista que luta contra a opressão masculina é a mesma que será tratada como Opressora pelos negros, até porque ela pode ser, de fato, racista, ou seja, é Oprimida e Opressora. A negra que participa de uma passeata anti-racismo é a mesma que sente vergonha de seu filho homossexual ("seja homem"). Agora temos uma ala do feminismo composto só por mulheres negras. Por serem duplamente Oprimidas (mulheres e negras), acabam por se rebelar contra as Opressoras dentro do feminismo, que são as brancas.
A Oprimida suprema participa de protestos contra o racismo (por parte inclusive de mulheres homossexuais não-cristãs) para logo em seguida participar de um protesto contra o machismo (também vindo de negros homossexuais não-cristãos) e se der tempo ir para uma marcha contra a intolerância religiosa (por parte, também, de algumas mulheres negras homossexuais) ou contra a homofobia (vinda também de mulheres negras e não-cristãs), por isso, corre o risco de ser chutada para fora de um desses movimentos.
Tudo que lemos até agora não passam de condições. Nem todo o homem branco rico cristão "oprime" alguém de fora do seu campo fenotípico ou social. Um "opressor supremo" pode ser um opressor ou não. Algo binário, 0 ou 1. O mesmo vale para o oprimido que assim será somente se for vítima de opressão...
...Mas isso é ignorado...!
A página do Twitter Ódio do Bem tem um acervo de onde tirei alguns exemplos. Os nomes não serão ocultados, até porque estamos fazendo um favor em divulgar o seu trabalho e facilitar futuros contatos profissionais.
São grandes as chances desse tal Carlos ter as características de um Opressor Supremo se passando por Oprimido, afinal, ele é de esquerda.
Aqui temos um típico defensor dos Oprimidos, mas como a Carmem Lúcia - mulher - condenou o grande líder branco, hétero, rico, pseudo-cristão da esquerda...Acho que não preciso expor mais exemplos, até porque já deve ter visto nas redes sociais ou fora dela.
"O sonho do oprimido é virar opressor", olha que frasezinha interessante. Será que o sonho do negro é ser branco ou do homossexual ser heterossexual? Ou talvez do muçulmano ser cristão? Pouco ou nada provável, mas seriam essas as preocupações dos nossos defensores dos Oprimidos? Será que o sonho do esquerdista é virar direitista? Não, pois mudança de visão "pula" a fase dos sonhos e vai direto à realidade. Quem sonha em ser direitista ou esquerdista não sonha, acaba se tornando um, e talvez essa seja a grande preocupação de quem teme que o Oprimido vire Opressor. Apenas especulo, mas faça o teste.
A história mundial é repleta de opressores reais, que abusam de sua superioridade tecnológica ou militar para oprimir seu próprio povo e outros povos, e ainda criam superioridades imaginárias, a esquerda inovou: criou o oprimido imaginário que deve se levantar e se vingar do opressor real ou não, e em seguida, colocar no poder os Oprimidos, que serão opressores reais. De certa forma, o sonho do Oprimido - daquele Oprimido que controla os demais - é mesmo ser opressor.
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