quinta-feira, 29 de março de 2018

O valor da vida na sociedade

Uma das maiores perfídias que escuto por aí, de bocas esquerdistas, é uma daquelas tentativas de superioridade moral quando dizem: "é contra o aborto mas defende a pena de morte". Dizem eles que a vida dos seres humanos são iguais, mas enquanto o feto não é vida..., né? Biológica, química, fisica, matemática, filosófica, religiosa e cosmologicamente, a vida de todo o ser humano é igual. Digo mais: a vida de todos os seres vivos - ao menos no reino animal - são iguais. O problema é que o convívio social acrescenta alguns fatores que simplesmente reduzem esse absolutismo. Em outras palavras: na sociedade, uma vida não é igual às demais.



Certa vez, uma colocação creditada a Dona Maria do Rosário dizia que é melhor um policial morto que três bandidos. As almas mais nobres se indignariam com isso, mas considerando essa tese do igualitarismo humano, a Dona Maria (supondo que foi ela quem disse isso) está certíssima,. Se uma vida é igual a outra, então três vidas valem mais que uma. Nesse ponto-de-vista altamente técnico, é melhor que um pobre trabalhador perca a vida, que os três estupradores que violentaram sua filha, tudo de acordo com as mais sagradas leis naturais. Mas como eu disse, a sociedade - ou melhor, o convívio social - impõe suas próprias regras.



Sobre a perfídia que citei antes, da vida de um bandido valer mais que um feto. Se o feto em um determinado tempo de gestação ainda não é considerado um ser vivente, então, por todos os critérios estabelecidos, seria melhor abortá-lo que matar um bandido, diriam. O Direito À Vida pregado no artigo 5º da Constituição seria apenas o direito de mantê-la, não de adquiri-la. Socialmente, o feto, mesmo ainda não tendo vida, é o ser mais inocente da humanidade, mais isento de culpa que qualquer criança. Caso o Direito À Vida seja apenas manter a vida, então um feto ainda sem vida vale tanto quanto um criminoso de alta periculosidade: nada.



Mas e a tal ressocialização do criminoso ao invés de mata-lo? Primeiramente, Fora Tendenciosidades de apoio ao bandido. Em seguida, o principal papel da prisão é a punição. O bandido (quando falo em bandidos, falo de criminosos de alta periculosidade, não de ladrões de galinha) se sentiria tranqüilo se  seu crime fosse pago com ressocialização, e não com punição. Incentivo maior para a criminalidade, só a impunidade. Matar seria a solução? Dependendo do caso, mas quando digo que a vida de um bandido não vale nada ou que Bandido Bom é Bandido Morto, não defendo necessariamente a pena de morte, defendo apenas que ele pode morrer de uma forma ou de outra, que seria um alívio para a perversa sociedade do qual você faz parte. Se pessoas boas morrem, porque não pessoas más não podem ter o mesmo destino?



O que faria a vida de uma pessoa valer mais que as outras? O primeiro critério seria o familiar. Se tivesse que escolher entre a vida de um familiar e a vida de outra pessoa, de um estranho, de quem você escolheria? Fora do âmbito familiar, podemos dizer que um bandido que põe em risco dolosamente a vida de outras pessoas não necessariamente merece viver, principalmente se é um que recebeu uma segunda chance e voltou a pôr a vida de outros em risco ou em grave violação física ou mental. Podemos ser contra a pena de morte, até porque isso envolve novas implicações, mas não é de bom tom lamentar a morte de um bandido, a menos que seja alguém de sua família ou mesmo um amigo.



Biológica, química, fisica, matemática, filosófica, religiosa e cosmologicamente, a vida de todos são iguais. Até a vida dos animais teria o mesmo valor que a nossa (que digam os veganos), aliás, a vida de um animal, inocente por natureza, vale mais que a de um bandido, ao menos para mim. A sociedade exige "leis complementares" e essa é uma delas.



Nenhum comentário:

Postar um comentário