quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Personagens "negros", "mulheres" e "gays"!!!

Sim, vivemos uma Belle Époque politicamente correta, mas espero que não seja um prenúcio para algo pior que esteja por vir, como foi sua versão original. Não que certas reinvidicações [o corretor ortográfico indica que essa palavra não é correta] do politicamente correto sejam inúteis ou "coisas de comunistas", como diria algum integralista, mas vez ou outra a ânsia por correções políticas nos levam a um caminho diferente, quiçá a um gradual retorno à estaca zero ou a uma opressão com novos opressores.



Como apreciador da cultura pop ou populacha [olha o corretor de novo. Será que é uma correção política?] que sou, me esforço para não notar - sem sucesso, é claro - o esforço de incluir as chamadas "minorias" em temas que até então eram dominadas pelas "maiorias". Tudo bem, até aí nada demais, até apoio - como se minha opinião fizesse alguma diferença -, mas o que me incomoda é a forma como essas inclusões são feitas, normalmente substituindo características já consagradas de personagens da ficção, quando não empurradas democraticamente goela abaixo. São personagens homens, brancos e machos pr'á cara... que são transformados em mulheres, ou negros ou gays. Mas por que isso me incomoda, como se minha opinião...bem, vamos por partes.



Existem na ficção personagens femininos, negros e, mais recentemente, gays. Personagens com identidade e história de vida próprios, sem serem cópias ou sombras de outros personagens, como a Mulher-Maravilha, Pantera Negra, Luke Cage, Carmen Sandiego, "A Noiva", Shaft ou a inesquecível já esquecida Katy Mahoney ou do medonho Falcão. Como eu disse, personagens gays são recentes e por isso personagens de destaque ainda são escassos. Agora, notem a diferença deles com um Tocha Humana negro, uma Thor mulher ou um...sei lá, um James Bond gay ou negro. Viram a diferença? Esses últimos são personagens que se originaram de personagens brancos e machos pr'á cara...ou seja, não passam de sombras desses, uma espécie de doppelgänger [olha ele de novo. Xenófobo!] do "por trás de um grande homem há uma grande mulher", não muito diferente de ser apenas um parceiro do grande herói branco e macho. O objetivo da boa intenção acaba resultando no seu oposto, em um gradual retorno à estaca zero.



Se bem que nem todas essas substituições ocorrem por causas politicamente corretas, imagino eu. Tem os casos do falecido ator Michael Clarke Duncan e de Samuel L. Jackson que interpretaram personagens brancos da Marvel, e convenhamos, se encaixaram bem nos seus papéis. Idris Elba parecia mais deus que o próprio Odin no filme Thor, o problema é que o personagem é nórdico, então se espera que tenha uma aparência nórdica, germânica, da mesma forma que não esperemos um orixá sendo interpretado por Brad Pitt ou algo do gênero.



Então estamos entendidos: uma coisa são personagens que surgem naturalmente, com brilho próprio, sem ocupar o espaço de outro já existente e consagrado, pois isso acaba tendo um efeito contrário do desejado. E antes que eu me esqueça: as aspas no título indicam que tais características não são as características originais dos personagens.



Estamos entendidos?












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